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Loucos?!

Como somos loucos e esquizofrênicos. Dentro de meu belo barco olhei para suas velas alvas, um pouco manchadas pela gordura que emana da chaminé da cozinha, e pensei como gostaria um barco maior e mais belo, feito por um artesão teleri de alta linhagem. Ao mesmo tempo, na velocidade que só o pensamento possui, me revi, diante de meu barco, no pier, quando esta nem meu era, e como o desejei, como parecia mais alto e alvo, como parecia perfeito, olhava para mim com cumplicidade e desejo...e hoje estou aqui, ao invés de colhendo os frutos dessa simbiose, me sentindo vazio, precisando de mais, de maior velocidade, de maior poder, tudo por que vi outro que era maior e mais belo. Como somos loucos e esquizofrênicos, eternamente insatisfeitos e cheios de sonhos que seguem sempre o referencial do impossível. Se um homem ganha suados 450 reais como fruto de seu trabalho, um outro que consegue 3.000 de sua labuta, deveria dar-se por satisfeito, mas não é isso que vemos. Tudo é referencial? Como s...

desleixo

Segundo Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, existem dois termos que são "tipicamente" lusitanos e que apenas nós que partilhamos de sua língua temos a compreensão total de seu significado. A forma mais clara de um sujeito se apropriar da cultura de outrem é através da língua, pois esta expressa as formas de ver e pensar de dada sociedade, com por exemplo, para os franceses, não existe uma palavra específica para abraçar, há sim um "fechar os braços sobre alguém", que passa longe do sentido que abraço tem para nós brasileiros. Segundo Dércio Brauna, para algumas tribos moçambicanas, não exite o termo pobre, esse é o correlato em nossa língua de órfão, pois para eles, a "riqueza" esta ligada a ter uma familia para trabalhar conjuntamente e produzir o alimento. Sabendo-se disto, as palavras que são apreendidas e compreendidas por nos de língua lusa são - a já tão batida - saudade, que virou até musica de rock meloso, e desleixo! Nós e apenas nós en...

Turambar

Esses últimos dias tem sido no mínimo estranhos para este pequeno navio. Após voltar do porto de recife, vimos que a tripulação se desentendera e se entendera sem que nem o soubessemos. Fico feliz que estejam bem, temo pelas feridas que sempre ficam, e por quem resolveu lutar pelo que não merece, mas fico feliz pela atitude de por fim ao comodismo e buscar o que deseja, é assim que vamos pra frente. Também muita confusão tem acometido este pobre comandante, à pouco nada, agora, muito, mas tanto que temos que escolher o que jogar fora. E isso incomoda. Para quem tanto já sofreu por crer que merecia mais, chegar ao ponto de ter que fazer escolhas de forma a tornar seguras essas vitórias, é estranho, mas necessário. E como toda boa e precisa (entenda-se os dois sentidos que essa possui) decisãoi, essa deve ser tomada logo. E já é bom dar um basta e parar de deixar a maré levar o barco. Assumo para mim o título de Turambar que em alto élfico significa Senhor do Destino. Tomarei as rédeas n...

Porto

Estes dias, o barco navegou forte, e chegou a praias distantes. Tão distantes que o mar não tinha mais a mesma cor, e o sol queimava de forma diferente. Aportei como quem não sabe nada, não quer nada e não pode nada... Era um povo diferente, uma terra nova, com gente morena e polidez na língua. Cheios de uma altivez que estranhou, mas que me lembrou de casa... Por falar em casa, pensei que estranharia, até, que não gostaria. Mas me senti bem. Me senti com se estivesse no lar.Ela estava lá. é...acho que meu lar é ao lado dela. Tudo pareceu mais aprazível, mais palatável, mais divertido, até mesmo amigável. Gostei de estar lá. Mas minha casa é o mar. É onde sei que ela vai estar. Voltei. As ondas parecem ter perdido um pouco o sabor, mas sei que é questão de tempo até que eu vou a ser do mar. Ele é o mesmo, eu que mudei. Mas voltei, por que esse é meu lar. Por que é aqui que ela está.

lugar algum?!

Estando no meio do mar, reparei nao estar em lugar algum. Não estou em meu país nem no de meu vizinho. Estou em um espaço de transe. Transe que é transito e que é elevação, pois é estar em algum lugar que nao é lugar nenhum. Certeau chama de nao lugar aquele que nao produz significado algum para quem o vivencia, por exemplo o onibus que é apenas um estado de espera, tempo morto entre duas ações... mas parando pra pensar passamos tanto tempo em lugares que são nao lugares que achoq ue nao ha mais lugar nenhum que seja algum lugar, afinal, estamos sempre projetando o daqui a pouco, o "prafrentemente"... Seria isso um lugar comum?

Vômito - Motim!!!

Depois de alguns dias no mar, o balanço da maré ainda incomoda. Pra lá, pra cá...não dá outra: hug... vômito. As marés violentas dias atrás ainda reverberam no estômago como se acontecessem agora. E mesmo mais serena e minimamente equilibrada, a mente teima em precisar por pra fora aquilo que a irrita. Esse dias ocorreram motins, o navio tornou-se o lugar da guerra. O mar se acalmou, mas o barco parece ter sentido saudade da virulencia maritima e lhe imitou...infelizmente de forma bem parecida. Sem perceber, marujos largaram de suas funções mais básicas: beber e cantar alto, porque tinham que limpar o convés!!! Que absurdo, mas houveram ações mais graves, tentaram jogar ao mar aqueles que queriam ser felizes... Houveram outros que se amotinaram do comandante que a muito já lhes avisara - Não sei pra onde vou, mas vou... e o caminho adiante parece ter causado medo. Então reveremos as rotas, reanalisaremos os mapas, mas vamos seguir. Quero todos a bordo, por que este navi é um corpo mui...

Faróis

As vezes os mares do pensamento ficam revoltos...ondas gigantescas crescem diante de nossos olhos. Surge o medo... o barco, pequeno tronco cortado de baixo calado -nada diante no mar - vire ante as ondas e nos jogue dentro da imensidão gigantesca da mente - oceano...Ideias confusas e imprecisas, crescem e logo morrem, nos jogando de um lado a outro e de volta outra vez, surgindo e logo indo, apontando o caminho e depois o escondendo, erguendo até quase as estrelas, para logo depois cair na ruina...Mas uma hora elas se acalmam...e pra onde ir, agora que não há mais bússola e que por pouco se sobreviveu...quando não se sabe mais ao certo qual o norte a seguir... Aí aprece ao longe, feixes de luz que passam e voltam, serenos e mostram onde está a orla. Os Faróis. Estes dias encontei o meu, não sei a qual praia me leverá, mas quero continuar em seu encalço - Raymond Williams, traduzido por Maria Elisa Cevasco. Um lugar de calmaria e paz depois de tanta confusão, alguém que sonha o mesmo ...