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o vento

o vento soprou tão frio...tocou pele de meu nariz e trouche um arrepio por toda a espinha...senti-lhe qual veludo acariciar a pele de minha maçã do rosto, correndo rápido, como água em corredeira; passando, mas deixando...até que preencheu-me os cabelos e os fez marcharem para trás com a força de cavalos em disparada...passeando pelos aneis desfeitos com sutileza e fúria, agora era mais forte...tão forte que me fez abrir os olhos. estava caindo e chorei, não por medo, mas pela força de agulha cortante que o ar fazia sobre minha visão já nao era mais o chao de madeira, mas o ar que estava sobre meus pés, e não podia caminhar, e nao podia gritar, não adiantaria.... caí. mas como foi bom! sentir-me parte do mundo, dos elementos, por um momento, apenas um momento, ate que por fim, veio um lamento quente e maior que o proprio peito... voltei retornei ao barco, molhado, gelado e com medo...será que minha casa não é sobre as águas, mas dentro delas? como fui feliz enquanto nada sabia nem pod...

Sempre foi assim

Hoje aportei em uma terra bonita. Cresceu as sombras de uma bela e verde cadeia de montanhas. Pareceu-me que a algum tempo devia ser cheia de água corrente pelo seu centro, mas não sei o porque, mas a água não passava de mero filete. Era uma terra bonita e pelas informações dos moradores era propícia ao plantio de praticamente qualquer tipo de alimento, mas pareceu-me pobre. Mas por ai não paravam as coisas estranhas, logo nos primeiros dias,achei muito bela a forma como o centro da vila é recheado de praças, repletas de árvores e flores - acho que cheguei na época certa da floração - porém, uma coisa estranha aconteceu, em menos de um mês, todas as belas praças foram reformadas, e o pior, pelo que me informaram os moradores, essa era a décima oitava vez que as praças eram reformadas, sendo que ao marchar um pouco mais para o interior - grifo, um pouco, apenas um pouco - deparei-me com casebres pobres e abandonados pelo poder público, sem estrutura que os permitisse uma vida saudável, ...

Loucos?!

Como somos loucos e esquizofrênicos. Dentro de meu belo barco olhei para suas velas alvas, um pouco manchadas pela gordura que emana da chaminé da cozinha, e pensei como gostaria um barco maior e mais belo, feito por um artesão teleri de alta linhagem. Ao mesmo tempo, na velocidade que só o pensamento possui, me revi, diante de meu barco, no pier, quando esta nem meu era, e como o desejei, como parecia mais alto e alvo, como parecia perfeito, olhava para mim com cumplicidade e desejo...e hoje estou aqui, ao invés de colhendo os frutos dessa simbiose, me sentindo vazio, precisando de mais, de maior velocidade, de maior poder, tudo por que vi outro que era maior e mais belo. Como somos loucos e esquizofrênicos, eternamente insatisfeitos e cheios de sonhos que seguem sempre o referencial do impossível. Se um homem ganha suados 450 reais como fruto de seu trabalho, um outro que consegue 3.000 de sua labuta, deveria dar-se por satisfeito, mas não é isso que vemos. Tudo é referencial? Como s...

desleixo

Segundo Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, existem dois termos que são "tipicamente" lusitanos e que apenas nós que partilhamos de sua língua temos a compreensão total de seu significado. A forma mais clara de um sujeito se apropriar da cultura de outrem é através da língua, pois esta expressa as formas de ver e pensar de dada sociedade, com por exemplo, para os franceses, não existe uma palavra específica para abraçar, há sim um "fechar os braços sobre alguém", que passa longe do sentido que abraço tem para nós brasileiros. Segundo Dércio Brauna, para algumas tribos moçambicanas, não exite o termo pobre, esse é o correlato em nossa língua de órfão, pois para eles, a "riqueza" esta ligada a ter uma familia para trabalhar conjuntamente e produzir o alimento. Sabendo-se disto, as palavras que são apreendidas e compreendidas por nos de língua lusa são - a já tão batida - saudade, que virou até musica de rock meloso, e desleixo! Nós e apenas nós en...

Turambar

Esses últimos dias tem sido no mínimo estranhos para este pequeno navio. Após voltar do porto de recife, vimos que a tripulação se desentendera e se entendera sem que nem o soubessemos. Fico feliz que estejam bem, temo pelas feridas que sempre ficam, e por quem resolveu lutar pelo que não merece, mas fico feliz pela atitude de por fim ao comodismo e buscar o que deseja, é assim que vamos pra frente. Também muita confusão tem acometido este pobre comandante, à pouco nada, agora, muito, mas tanto que temos que escolher o que jogar fora. E isso incomoda. Para quem tanto já sofreu por crer que merecia mais, chegar ao ponto de ter que fazer escolhas de forma a tornar seguras essas vitórias, é estranho, mas necessário. E como toda boa e precisa (entenda-se os dois sentidos que essa possui) decisãoi, essa deve ser tomada logo. E já é bom dar um basta e parar de deixar a maré levar o barco. Assumo para mim o título de Turambar que em alto élfico significa Senhor do Destino. Tomarei as rédeas n...

Porto

Estes dias, o barco navegou forte, e chegou a praias distantes. Tão distantes que o mar não tinha mais a mesma cor, e o sol queimava de forma diferente. Aportei como quem não sabe nada, não quer nada e não pode nada... Era um povo diferente, uma terra nova, com gente morena e polidez na língua. Cheios de uma altivez que estranhou, mas que me lembrou de casa... Por falar em casa, pensei que estranharia, até, que não gostaria. Mas me senti bem. Me senti com se estivesse no lar.Ela estava lá. é...acho que meu lar é ao lado dela. Tudo pareceu mais aprazível, mais palatável, mais divertido, até mesmo amigável. Gostei de estar lá. Mas minha casa é o mar. É onde sei que ela vai estar. Voltei. As ondas parecem ter perdido um pouco o sabor, mas sei que é questão de tempo até que eu vou a ser do mar. Ele é o mesmo, eu que mudei. Mas voltei, por que esse é meu lar. Por que é aqui que ela está.

lugar algum?!

Estando no meio do mar, reparei nao estar em lugar algum. Não estou em meu país nem no de meu vizinho. Estou em um espaço de transe. Transe que é transito e que é elevação, pois é estar em algum lugar que nao é lugar nenhum. Certeau chama de nao lugar aquele que nao produz significado algum para quem o vivencia, por exemplo o onibus que é apenas um estado de espera, tempo morto entre duas ações... mas parando pra pensar passamos tanto tempo em lugares que são nao lugares que achoq ue nao ha mais lugar nenhum que seja algum lugar, afinal, estamos sempre projetando o daqui a pouco, o "prafrentemente"... Seria isso um lugar comum?