Postagens

há muito tempo não escrevia neste diário de bordo. há um bom tempo arrefeceu a vontade de escrever, desde que meu amigo se foi. mas, diz o jargao que o tempo ajuda a curar as nossas dores, entao estou escrevendo de novo. nao sei se curou, mas pelo menos é certo, que a distancia entre ameniza o sofrimento, pois ficam as lembranças, e essas sao boas. desde que parei de escrever situações totalmente distintas ocorreram. ouvi elogios a meu trabalho, e palavras de agradecimento a meus esforços para auxiliar jovens amigos, a quem tive a sorte de conhecer, a serem melhores, a tentarem crescer. contudo, no mesmo período ví olhos frios e opacos fingindo que nao estavam no mesmo lugar que eu, dando-me a mais cruel das punhaladas, a indiferença. não me odiavam, acho que nao,com certeza nao me amavam, mas antes sentissem pelo menos raiva, ai saberia que pelo menos nisso estaria lhes acessando, contudo, não os vejo, mesmo os tendo diante de mim, sei que nao me escutam, mesmo que grite ou sussurre, ...

Dos jovens marinheiros em terra estranha.

Passei muitos dias sem escrever, mas muito ocorreu. A dor da perca de meu amigo próximo nos levou a uma situação de fragilidade de autoridade. Mas mesmo com todas as dificuldades, navegamos a paragens distantes e belas. Chegamos a uma terra de montes altos e verdes. Terra muito bela, mas de gente séria e preconceituosa, o que faz com que a cidade perca um pouco de sua beleza. Levei meus marujos a uma convenção, os jovens marinheiros viram pela primeira vez uma terra distante e pessoas de outras praias...ficaram tão extasiados que nada mais lhes fazia sentido... Fomos em busca de tesouros, mas a pressão, o medo e o nervosismo fez com que eles voltassem com pouco menos do que esperávamos. Mas foram felizes, creseceram em conhecimento, experiência e sabedoria. Para mim, este é o tesouro. Prometíamos mais glórias, mas dou-me por satisfeitos em vê-los e ajudá-los a crescer.

Venom

Peço perdão, pois não serei hoje, um comandante de um navio alvo, que singra mares de forma corajosa e intensa...hoje serei eu mesmo, triste, fraco, com medo e com os olhos rubros de medo e angústia...sei que muitos poderão pensar ser um exagero, mas hoje fui deixar um amigo, a quem amo, e que tenho a honra de conhecer a 13 anos no hospital, e não sei se ele volta. Engulo em lágrimas essa palavra, mas é verdade. Eu era uma simples criança quando o conheci, cheio de medos, e ele me ensinou a vence-los, a me permitir ser feliz e aproveitar o carinho que tinha pra me dar.... Muitos vieram e se foram espontâneamente de minha vida, mas ele ficou. Os colegas de escola, a quem jurei fidelidade eterna e amizade duradoura se foram...nem sei onde vivem, qual o estado civil...nada. Mas ele ficou. O amor veio e se foi diversas vezes, em brigas ora rápidas, ora vagarosas como floresta depois de um incêndio...Ele ficou. Juntos vivemos momentos turbulentos, narcóticos, alcoólicos e ...

navegador de estrelas

O barco passeava manso...suave e calmo, a vento leve e tranquilo...passavamos em meio as estrelas. pouco a pouco e lá se ia Órion e sagitário, marchavamos a trote limpo e plácido pelas constelações logo, já fora o zodíaco quase todo... O mar estava calmo, estranhamente calmo, a ponto de ser um espelho tão limpido que era como estar nas estrelas e a paz que ele transmitia era tão grande que acho que dveiamos realmente estar no céu... nunca vi nada mais belo que isso, singrar as estrelas com suavidade e constância... Talvez isso seja morrer, mas algo é certo, me ensinou como é belo viver. Navegar é preciso, viver também é preciso, pois vivo para navegar!

o vento

o vento soprou tão frio...tocou pele de meu nariz e trouche um arrepio por toda a espinha...senti-lhe qual veludo acariciar a pele de minha maçã do rosto, correndo rápido, como água em corredeira; passando, mas deixando...até que preencheu-me os cabelos e os fez marcharem para trás com a força de cavalos em disparada...passeando pelos aneis desfeitos com sutileza e fúria, agora era mais forte...tão forte que me fez abrir os olhos. estava caindo e chorei, não por medo, mas pela força de agulha cortante que o ar fazia sobre minha visão já nao era mais o chao de madeira, mas o ar que estava sobre meus pés, e não podia caminhar, e nao podia gritar, não adiantaria.... caí. mas como foi bom! sentir-me parte do mundo, dos elementos, por um momento, apenas um momento, ate que por fim, veio um lamento quente e maior que o proprio peito... voltei retornei ao barco, molhado, gelado e com medo...será que minha casa não é sobre as águas, mas dentro delas? como fui feliz enquanto nada sabia nem pod...

Sempre foi assim

Hoje aportei em uma terra bonita. Cresceu as sombras de uma bela e verde cadeia de montanhas. Pareceu-me que a algum tempo devia ser cheia de água corrente pelo seu centro, mas não sei o porque, mas a água não passava de mero filete. Era uma terra bonita e pelas informações dos moradores era propícia ao plantio de praticamente qualquer tipo de alimento, mas pareceu-me pobre. Mas por ai não paravam as coisas estranhas, logo nos primeiros dias,achei muito bela a forma como o centro da vila é recheado de praças, repletas de árvores e flores - acho que cheguei na época certa da floração - porém, uma coisa estranha aconteceu, em menos de um mês, todas as belas praças foram reformadas, e o pior, pelo que me informaram os moradores, essa era a décima oitava vez que as praças eram reformadas, sendo que ao marchar um pouco mais para o interior - grifo, um pouco, apenas um pouco - deparei-me com casebres pobres e abandonados pelo poder público, sem estrutura que os permitisse uma vida saudável, ...

Loucos?!

Como somos loucos e esquizofrênicos. Dentro de meu belo barco olhei para suas velas alvas, um pouco manchadas pela gordura que emana da chaminé da cozinha, e pensei como gostaria um barco maior e mais belo, feito por um artesão teleri de alta linhagem. Ao mesmo tempo, na velocidade que só o pensamento possui, me revi, diante de meu barco, no pier, quando esta nem meu era, e como o desejei, como parecia mais alto e alvo, como parecia perfeito, olhava para mim com cumplicidade e desejo...e hoje estou aqui, ao invés de colhendo os frutos dessa simbiose, me sentindo vazio, precisando de mais, de maior velocidade, de maior poder, tudo por que vi outro que era maior e mais belo. Como somos loucos e esquizofrênicos, eternamente insatisfeitos e cheios de sonhos que seguem sempre o referencial do impossível. Se um homem ganha suados 450 reais como fruto de seu trabalho, um outro que consegue 3.000 de sua labuta, deveria dar-se por satisfeito, mas não é isso que vemos. Tudo é referencial? Como s...