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Mar de saudades.

Todos chamavam-lhes dois pombinhos. Não gostavam muito da comparação, sempre acharam os pombos promíscuos. Desde que se acharam sabiam que era para a vida toda. Amavam-se com dedicação e paixão. Demoraram muito para se encontrar, muitos até diziam que já passavam da época de ter um par. Esperaram a hora certa, se escolheram. Juntos iam as estrelas e procuravam tocar a lua. Eram felizes. Em um imenso de felicidade ele foi a procura de comida. Tinha ido para o mar procurar alimento para ambos, e para o filhinho que estava para nascer. Passou o dia, veio a noite e ele não voltou. Passaram-se horas, dias e ele não voltava. Ela, remoendo-sem saudade voara sobre o mar. Deixava-se guiar pelo sentimento que carregava no peito e o símbolo da união que trazia no ventre. Batida após batida a força das asas ficava cada vez mais fraca, e a procura cada vez mais intensa. Voara até o amanhecer. Mas naquele dia não houve mais amanhã. E em um mar de saudades se acabou o amor dos dois pelicanos.

A luz das estrelas

Gostava quando a noite chegava, podia ver, lá por detrás das luzes dos postes a beleza das estrelas, brilhavam um brilho calmo e limpo. Ajudava a descansar. Depois de um dia inteiro de pisoteio, desprezo e até de ser cuspida, gostava de relaxar de noite, com o ventinho frio tocando-lhe e as luzes, sim, as luzes das estrelinhas tão distantes. Mas em uma fração de segundos tudo mudara. Que luzes mais esquisitas eram essas, esse amarelo fogo saindo de dentro dos canos pretos, e de repente uma chuva de pedrinhas brilhantes lhe envolvia. Era o vidro, vidro gelado pelo ar condicionado de dentro da sala dos caixas eletrônicos do banco, vieram três, quatros papocos grandes vindos de dentro do prédio e uma profusão de sirenes e gritos. Até que sentiu, em meio ao medo, o calor se depositando sobre ela. Era sangue, ainda cheio de vida, e um, dois, três corpos pesados, imóveis. Desde o começo daquela noite, a pobre calçada não tivera mais sossego, já se iam seis horas e centenas de pés já lhe pisa...

As filhas da mesma mãe

Sentia a água correr por seu corpo. O líquido frio passava-lhe pelo peito cabeludo arrastando as sujeiras de dias e dias de poeira, marcha e cansaço. Sentia os pelos arrepiarem-se em busca de calor. Sempre achara engraçado esses carocinhos que apareciam na pele quando sentia frio. Um dia, se possível, pediria para um doutor lhe explicar o por que disso. O cabelo já meio comprido caía perto do ossinho que marcava o fim do pescoço e o começo das costas. Estava mais magro, os últimos dias foram tão corridos que não conseguira comer direito, só um pão velho e dormido aqui ou acolá. E para dar gás, engolia um trago de pinga para esquentar o sangue. Finalizado o banho, enxugava-se lentamente, procurando deixar limpa cada uma das reentrâncias do corpo, esfregava com força entre os dedos dos pés, parecia que ia arrancar o couro, mas queria que tudo estivesse perfeito. O cheiro doce da alfazema entrava-lhe pela narina enquanto banhava-se no líquido perfumado. Vislumbrava o rosto no pedaço de es...

Pedrinha miudinha.

"Pedrinha miudinha, pedrinha de aruanda é.." os batuques tocavam alto. Os braços levados por um transe rítmico batiam com força nos atabaques e tambores. Ôoooooooo. Como por um passe de mágica o volume das batidas baixou e ficou fazendo uma música de fundo perfeita enquanto no centro da roda, as barras de renda e miçangas balançavam, circulando rápido e onduladamente. A voz começou a soar. Era baixa, mas forte e precisa. Com um rouco arrastado preenchia todos os cantos do terreiro, chegava a todos os ouvidos, parecia falar dentro e cada alma. - Cadê meu pagamento mizifí? Uma galinha deu seu ultimo cacarejo. Enquanto o sangue escorria sobre a farofa, uma garrafa de cachaça beijou os lábios do santo. Em meio a fumaça a voz mais uma vez fez os corações ficarem gelados. -Hum...Ouvi seu pedido, recebi sua oferta. Agora, para brigar com esse diaxo fraquim tem que fazer outro tipo de sacrifício. Mande aqui o diaxo daquele boi. E apontou com o dedo semi-curvado para um boi magro e f...

Mensagem

O vento soprava pela janela de seu quarto. Seria até muita bondade chamar aquela brisa morna de vento. Era lenta e morosa, parecia que até a natureza estava com preguiça por causa do calor. Essa lentidão o deixava louco. Já se passavam tres horas, tres horas e meia, sei lá, se deitara, desde que começara a tentar descansar a cabeça. Que engano, não podia. Rolava de um lado para o outro do colchão, já tentara todas as posições possíveis e imaginávies para adormecer. Arriscara-se a assistir a televisão, ler livros, pensar em histórias. Já adiantara o serviço do dia seguinte. Aventurara-se pelo twitter, facebook, orkut, nada interessante. Estava engasgado. E mais uma vez bolava na cama, já perdera a paciencia e arrancara o lençol. Não conseguia se concetrar em nada, nem em dormir. Minto, em algo ele mantinha seu foco, e era isso que tornava o resto do mundo insípido. Queria aquele ouvido ao seu lado para poder dizer: Te quero, te amo. Mas como poderia dizer? Não sabe ao certo onde estava ...

Notas

para ler ouvindo: http://listen.grooveshark.com/#/s/Going+Under/18alxI?src=5 Um suspiro.... Arco em prumo... Suavemente se deixava levar... O cabelo lhe caia sobre a face... Dormente... O corpo distante de sí próprio, mergulhava seus dedos com uma fúria sombria e lenta. A cada dedilhar, a cada movimento, a cada dobra, a cada nota sua: raiva, contida e transformada em um balanço lento da cabeça que rodopiava, suave, rítmica, hipnoticamente. O braço tenso, tenro, firme! Fazia sua voz brotar, repetida, melodiosa, segura! Os olhos fechados, cobertos pelas pálpebras vermelhas que doíam de tão apertadas. Peito em fogo coração em acelerados passos, corria, transpunha a distância em poucos segundos. O lábio superior tremia no canto direito da boca. Se via diante dela. Mas não havia mais ninguém ali! Seu corpo abarcava o companheiro musical, ele lhe preenchia o vazio? Em uma dança sedenta e sensual, mergulhava. Imergia em seu abraço, percorria-lhe com seus braços, em suas curvas sinuosas e meló...

Loja de livros virtual privilegia Maranguape

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A nova loja sabujo.net, mantida por maranguapenses, repassa livros mais baratos do que as grandes livrarias e facilita a vida dos leitores da cidade. “Atenção maranguapenses, chega de se deslocar até Fortaleza só para comprar um livro e, ainda sim, detestar o preço! Com o Sabujo, seus problemas acabaram”. Essa frase resume a proposta do novo site de livros intitulado Sabujo.net. O endereço, criado por três maranguapenses, está no ar há pouco mais de duas semanas, mas já alcançou mais de 800 visitantes. “A ideia é vender livros mais baratos do que a Saraiva e a Cultura e, principalmente, privilegiar os maranguapenses, trazendo as novidades pra cá”, afirma uma das fundadoras, a jornalista Mayara de Araújo. Fazem parte ainda do projeto o professor e historiador Dhenis Maciel e o publicitário Mardônio Andrade. “Somos amigos há mais de dez anos e sempre fomos fissurados em livros. Achamos que muita gente daqui perde a oportunidade de adquirir suas próprias coleções porque não quer ou não po...