é isso mesmo morganna, na mesma viagem, por varias vezes a cena se repetiu, mas ao invés de cães eram pessoas, aí, do nada, o freio do onibus prestava, sei que a vida humana é incomparável, mas exemplifico para mostrar que, se vc se importa, da pra evitar.
A tatuagem feita há menos de uma semana ainda estava com a cor vem viva e a pele ao redor um pouquinho avermelhada. Vinha cuidando muito bem dela, creme de cicatrização e hidratante. Evitava poeira e sol por seis dias, mas agora era a hora. Com um biquininho vermelho de laço na lateral foi até a beira da água. Estrategicamente levantou o cabelo com as duas mãos pela parte de trás, mas deixando um rabo de cavalo grandão adornando-a, assim como os penachos adornavam os grande generais romanos. A amiga, devidamente posicionada de modo a pegar, com o iPhone X refém comprado, o mar, a areia, um pouco do brilho do sol que vinha da direita, mas principalmente a lateral das costelas dela evidenciando o texto: "aproveite o momento". Foram 26 fotos até chegar na que Boa considerou perfeita. Agora, com o coração palpitando, postou no Instagram. Avisou nos histories e no status do WhatsApp: tem foto nova, curte lá.
"sapere aude" dizia a tatuagem no pescoço da moça a sua frente na fila do mercantil. Ouse saber ela queria dizer... Esquecia ela que o saber é irreversível, e, às vezes, só às vezes, ele achava que a ignorância podia ser uma benção. O conhecimento é inquietador. Se não é possível alimenta-lo e acalma-lo, assim como o lobo, ele ronda... Cerca... Às vezes mostra os dentes... E um dia, ele sempre morde. Talvez não saber seja uma benção, como diziam os medievais. A bendita ignorância... Mas ao mesmo tempo, não saber, não significa que não exista. "Cuidado meu bem há perigo na esquina"... E do outro lado da curva não existe uma reta.
O dia era daqueles em que o medo da chuva fazia com que ao lado de cada pessoa surgisse um adereço, mas ao mesmo tempo logo fazia brotar o arrependo da roupa mais grossa. Nublado e abafado parecia uma senhora de idade com prisão de ventre. Depois de quatro quilômetros de caminhada e de uma pequena carreira ele conseguiu um lugar no ônibus. O vento que espera entrar pela janela teimava preguiçoso a não entrar enquanto o engarrafamento não passasse. Os ouvidos preenchidos pela música que brotava do fone o transportavam para dali há horas. Talvez estivesse com ela. Sorriu. Aqueles sorrisos que não tentam se esconder, que abrem a boca e desencostam os dentes. Era um dia feliz. Quem sabe já já estaria com ela.
Que tristeza! E o pior é que realmente eles nem sentem remorsos por isso, é como se tivessem passando por um pedaço de pau e não uma vida!
ResponderExcluiré isso mesmo morganna, na mesma viagem, por varias vezes a cena se repetiu, mas ao invés de cães eram pessoas, aí, do nada, o freio do onibus prestava, sei que a vida humana é incomparável, mas exemplifico para mostrar que, se vc se importa, da pra evitar.
ResponderExcluirnossa!!!
ResponderExcluirmuito triste...
é como se estivesse vendo essa cena na minha frente
fico feliz que vc tenha gostado. apesar de triste por lhe fazer sentir algo tão ruim...mas bem, foi o que tive o azar de ver.
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