O sacrário - parte II

Extrato de tomate, maionese, mostarda... fazer as compras para a grande maioria das pessoas poderia ser uma atividade massante, mas até que ela gostava, era um dos poucos momentos em que a professora deixava de lado sua vida de aulas e provas intermináveis. Dentro de casa, sempre havia algo a preparar para a escola e lá no supermercado podia dedicar-se apenas para sí. Não que fosse egoísta, mas é que as vezes é bom.
Mas...opa....não acredito, aquela mulher aqui? Nesse mercantil de bairro?
Correndo a professora tentou alcançar a figura magra que se apressava pelos corredores. Tinha certeza, era a mãe do Matheus, bem mais magra, mas era ela, não podia deixar de reconhecer aqueles ombros. E não podia perder a oportunidade de saber mais sobre o garoto. Há um mês fora expulsa da casa dela, e nunca mais recebera notícias do garoto.

A mulher entrou apressadamente na Pajero preta e saiu rapidamente. Deixando as compras de lado a professora entrou em seu carrinho 1.0 na mais crédula esperança de alcançar a mulher. O mais incrível é que conseguiu, o engarrafamento não escolhe quem vai atingir de acordo com classe social, lasca a todos da mesma maneira.
Mantendo uma distância razoável a professora acompanhou a Pajero até que sairam da estrada e pegaram uma trilha de areia. A professora decidiu parar ali para evitar ser vista, mas ficou aguardando escondida na entrada da trilha até a hora em que a mulher voltaria, assim ela poderia calcular a distância aproximada percorrida. A espera dura uma hora.

Já em casa, com fome, a professora resolveu ligar para um colega de faculdade que abandonou a vida de professor para ser policial, afinal, paga-se mais para bater do que para educar. Às oito da noite Juliano chega a casa dela munido de dois sanduíches e um bom ouvido. Após horas de conversa chegam a uma conclusão, precisam fazer alguma coisa. Não só por curiosidade, mas por amor a criança. Quantos casos de mães malucas e super-protetoras o policial já não vira, crianças acorrentadas, violentadas, reféns de seu próprio lar.

A partir das informações da professora o policial monta guarda escondido na entrada da trilha. Durante uma semana a cena se repete, a mulher passa para a casinha duas vezes ao dia, às oito da manhã e às quatro da tarde.

Já não podia mais esperar: Era hora de agir.

A luz do crepúsculo passa caminhando pela Pajero, passo a passo chega as escadinhas pequenas que dão para a entrada da casinha. Abre a porta da casa e, mesmo após anos na polícia, sente nojo do que vê!

Comentários

  1. Muito bem me deixa na curiosidade, senhor Dhenis.

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  2. humm o que será que vc está aprontando para o próximo capítulo hein... vê se não faz agente esperar muito tempo viu... a história tá ficando muito interessante, tô ansiosa hehehe...

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  3. foda: "afinal, paga-se mais para bater do que para educar."

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