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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Meus pêsames - parte III

-Vamos lá filhinha, faça mais um esforço... Isso. Que menininha obediente. Papai te ama sabia?
-Vem cá, deixa o papai escovar seu cabelinho vem. Nossa como ele cresceu esses dias em florzinha?
Seu cabelinho ta lindo.
- E essas unhas... ai ai ai, tão enormes. Pera, deixa eu pegar as coisas aqui para fazer as unhas.
Correu até o outro banheiro onde deixava todos os itens de higiene da pequenina. Tesoura, lixa, alicate, descarnador de cutícula, algodão, esmalte. Tudo ali.
- Muito bem, ficou aqui esperando o papai quietinha né?! Vamos arrumar essas unhas que quero você bem arrumada pra recebermos a visita mais tarde ta.
- Pronto. Agora vamos tratar de tirar esse cheiro né?! Quero você bem cheirosa filhinha.
Levantou-se, ligou o botão do exaustor. Quando ouviu o som constante das pás que levavam o vapor e o cheiro pra fora da sala. Cobriu as mãos com as luvas impermeáveis. Vestiu a máscara. Abriu a tampa da lata. Embebe o pano e começou a passar na criança. Sem reagir a menina foi banhada …

Ordem

Os camelos voavam suavemente na manhã gélida do Monte Pascoal.
Por sobre as colinas podia avistar os cardumes de peixe correndo em direção ao mar para alimentar-se das cabras que colocavam suas narinas para fora a procura de oxigênio.
O sol pálido não esquentava mais que um gole de gordura.
Engoliu com força a xícara inteira. Precisava estar quente para sobreviver.
Assistiu a assombrosa valsa melodiosa dos caçadores correndo abaixo a procura dos planctons saltitantes. Precisava se animar, precisava correr atrás de seu alimento também. A horda não estaria sempre ali para alimentá-lo.

O tempo de confusão mental tinha que ficar para trás. Era hora de colocar tudo em ordem novamente.

Neurosonho

Sentia o peito inflado. O coração palpitava de forma frenética. Os olhos enchiam-se de alegria. Aquele era o momento pelo qual tanto esperara. Erguia os braços e começava a passear de um lado par ao outro transformando a alegria em força para as pernas já tão cansadas dançando pela pista como um avião. Enfim sentiu a faixa sendo ultrapassada! Chegara. O som da multidão ao seu redor comemorando em jubilo a as vitória. Cantavam unissonamente seu... não... quem... como...espera... ESPERA!!!
- Senhor Macedo, senhor Macedo. Calma. Sentiu as mãos firmes e a voz impositiva do enfermeiro sacudindo seu corpo gigantesco. Deu por si completamente melado de baba que escorrera da boca aberta.
Não importava. Tinha dado certo... pelo menos em parte.
Enfim, Carlos Macedo de Almeida no auge de seus 250 quilos havia conseguido sentir na própria pele o que era terminar uma corrida de uma maratona. O sonho de uma vida, interrompido pelo tiro de um ativista pode enfim ser realizado... melhor... pode…