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Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

Mav

O corpo pequeno transbordava com a coragem que lhe inflava o peito. Quando todos disseram que era loucura, quando inclusive ela achava tudo impossível, ela quis.  Estava quebrada por causa de outro alguém. Lambeu as feridas e decidiu ser feliz. Foram horas de conversas trocadas. Risadas dadas. Perguntas... Acordos. Só lhe pediu uma vez e não tinha como não entender o recado: queria tudo, queria ser o que fosse, Capitu, Satine, Morgana... só não queria terminar como uma história triste.
Ela mal sabia, mas isso nunca foi uma opção.
Era grande demais para que as letras a conseguissem resumir. Ele tentou. Por várias vezes, mas cada tentativa só gerava cada vez mais a certeza de que expressá-la sempre era buscar sinônimos para coragem, força, delicadeza e paixão.
Era tão imensa que uma única língua nunca conseguiu dizer o que tinha pra dizer. Precisou de várias... E não uma de cada vez. Tinham que ser todas... ao mesmo tempo. Assim, quem sabe, pudesse dizer o que precisava dizer, mas que n…

Razão

Os cabelos em chamas viraram borboletas em meio ao caminho para o nada. De seus olhos saíram mordidas violentas e cruéis. O nariz prendia tudo ao redor como ventosas cefalópodes. A barriga ria com a ironia de um velho sobrevivente. Zombava da miséria daqueles coitados que não conseguiriam permanecer quando seu peito cuspisse o fogo que carregava dentro de si. Destruição era seu nome.
A razão era sua escrava.
E o medo seu amante... e queria muito sair para foder.

Caminhada

Tirou o cabelo do rosto com a mão direita. O peito ardendo era o prenúncio. As pupilas dilatadas mostravam o olhar atento. O corpo buscava transparecer segurança. A hesitação milimétrica no caminhar colocava toda a cena a perder.
Estava tensa.
A garganta travada não a deixava pensar o contrário. Enquanto muitos parariam, ela resolveu dar uma passo a mais. Era mais fácil permanecer. Mas era mais vivo continuar. Era mais simples fazer mais do mesmo. Mas queria a excitação do original. Era mais seguro estar. Mas ela escolheu ser.
Deu o segundo passo.
E todos os outros se seguiram. As vezes adiante, as vezes para trás. Em alguns momentos hesitantes, em outros seguros.