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Mostrando postagens de Abril, 2014

o chamado

Sete, oito... dez anos... não conseguia lembrar ao certo por quanto tempo ouvia aquele chamado.
Por vezes chegara a sentir a voz praticamente dentro dele. Por outras, o som distante parecia que ia se perder e aumentava dentro dele o sentido de urgência. Não podia deixar que se fosse.

Tentou por diversas vezes esquecer a voz, mas ela sempre reaparecia, ela sempre reaparecia.
Em determinado momento fingiu para si mesmo que não era nada, que não havia voz alguma, que tudo não passava de invenção de seus próprios sonhos e desejos... Eram dias tristes, solitários, reais...
Mas como sempre, ouvia o chamado e sentia o peito aquecer, sentia-se calmo, sentia que era o certo a se fazer.

Jogou tudo para o alto, correu o máximo que suas pernas conseguiam correr, enfrentou ladeiras, montanhas, riachos, vales secos, rios caudalosos e sol causticante, não sabia ao certo para onde ia, mas tinha a plena certeza de onde chegaria.

E chegou!

Escalara horas a fio, a mente pesava pela falta de ar, nunca ti…

Meus pêsames

Meus pêsames...
...meus pêsames...
...meus... pêsames..
...meus...
...meus...

Fechou os olhos e recostou a cabeça no estofado da poltrona, não conseguia retirar a imagem da cabeça nem as vozes que incessantemente falavam de um sentimento de uma forma completamente sem sentido...

Meus pêsames... meus pêsames...

O que diabos queriam dizer com isso? Por que diabos alguém diria isso... O que era isso?

Sentiam o pesar pela perda dele e por isso partilhavam-no com ele... sabia a resposta, mas ela não respondia nada...
Achava menos cruel quando alguém simplesmente vinha em silêncio e o abraçava... apertado, demorado... Sentia o conforto, por alguns milésimos de segundo, mas sentia...
Sentia muito mais calor quando lhe transmitiam seus sentimentos com um olhar de compaixão...
Isso era muito melhor. Sentiam e compartilhavam da mesma paixão que ele... Paixão que é amor, sacrifício e ao mesmo tempo sofrimento...

Compadeçam-se de mim... mas nunca, nunca me deem seus pêsames... já basta o peso de …

Ela e eu

Ela disse pode ser...
Eu sorri...
Ela me falou de sonhos...
E eu sonhei...
Ela me contou seus segredos...
Avidamente eu ouvi...
Ela me provocou...
Eu aceitei...
Ela me fez rir...
E eu ri, como eu ri...

Um dia eu disse Eu te amo...
Ela disse basta...
Eu falei que queria um beijo...
Ela se virou...
Eu me humilhei...
Ela fechou a porta...

Ela entrou...

E eu parti... Em um milheiro de pedaços me parti... E ainda não sei como juntar...



(sugestão para ouvir lendo: beautiful war)

Dois e meio.

- Boa noite moça, tudo bem?
- Tudo ótimo.
- E ai, como foi o encontro do pessoal lá no João?
- O pessoal não foi, fomos só eu e o Walter.
- Hum...
- Ficamos bebendo um pouco e depois cantamos Legião. kkkk
- Que massa, amizade é isso. Muitos sorrisos sem precisar de muita firula.
- Pois é, depois vimos umas besteiras na internet, e o Walter só bebendo. kkkk no final o póbe tava de olho trocado.
 - kkkkkkk, já é né?
- Pois é... ei, vou ficar off line aqui.
- Tudo bem, eu to de saída já.
- Vaila, porquê?
- Tenho que arrumar umas coisas, amanhã vou viajar.
- Ei, posso te dizer só uma coisa?
- Fala.
- Acho o mundo muito injusto.
- ????
- Sério, deveriam haver dois de você.
- Concordo.
- Hahahaha.
- Bem, eu sei o meu porque, qual é o seu?
- Fala primeiro o teu que digo o meu depois.
- Pq eu queria vc, ao seu lado me sinto bem.
- O meu motivo é o mesmo. Deveriam ter dois de ti, e um deles ser meu. Vc tem tudo que eu quero, que eu preciso...
- Poxa... uma das coisas que eu mais queria era pod…