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Mostrando postagens de Agosto, 2015

Pugilismo

Força.
Vamos lá cara: Força!
Que merda: FORÇA!
Bate mais.
Isso, quebra a cara dele.
Vai pra cima droga...
Bota pressão.
Mais um, outro, outro...
Não perde pressão...
Não perde...
Não deixa ele sair das cordas....
Que merda... vai atrás dele.
Não deixa ele te acertar.
Droga olha esse contragolpe.
Isso bate ne...não porra...sai daí.
Levanta a guarda.
LEVANTA A GUARDA.
.
..
...
Puta merda Jonnhy... você desistiu.
- Eu não desisti droga... eu não aguentei... Eu batia, batia e batia cada vez com mais força e ele não caiu. Ele fechou a guarda e esperou. Depois ele desapareceu da minha frente. Ele voava ao redor de mim e eu fiquei feito idiota naquele ringue procurando ele como quem tenta matar um mosquito com um jornal e não consegui... Eu tentei droga, mas eu perdi.
- Você perdeu porque é um fraco... Você teve ele nas cordas. Você teve tudo para vencer e mesmo assim deixou ele escapar. Você deveria ter vergonha de bater como um mocinha. Você não passa de.... O cruzado de esquerda interromp…

Clichê em branco e vermelho

Era um puta de um clichê, mas era... então que seja.

A pele alva já lhe prendia a atenção. Mas os cabelos vermelhos... O fogo que prenunciavam era apenas uma fagulha. Dentro dos olhos banhados pelo sol, o verdadeiro fogo se anunciava. Era um fogo de vida. Um fogo que consumia normas. Que transformava em chamas pequenas regras e convenções. Um fogo que a fazia assustadora... Assustadoramente bela com sua fome, de ser, de possuir, de viver.
Era um puta de um clichê...
Os escritores já encheram milhares de paginas sobre os cabelos vermelhos. Madeixas que prenunciam sempre a magia... da natureza e do sexo. Os roteiristas de revistas em quadrinhos sem pudor de se fazerem repetir colocavam a cor vermelha em todas as mulheres prenhes de vida e de poder. São uns filhos da mãe... Corajosos apontam para o óbvio.
Até então parecia ser apenas um clichê. Mas ela mostrou que era um puta de um clichê. Repetido, nada original, mas verdadeiro.

Queimava e se deixava consumir sem nunca acabar.

O mártir - parte III

O cheiro de sangue empesteava a sala toda. As vestais corriam para todos os lados. Os corpos languidos e suados dançando como sombras ao redor dos fogos que alimentavam as piras incensórias que vertiam fumaça odorizada por todo o espaço. Nem elas conseguiam esconder o cheiro de morte. Em cada um dos quatro quantos da sala tambores e flautas tocavam em honra dos deuses. Em cada porta pretorianos firmes como o mármore das paredes.
- Vede cada um de vós meus capitães. Esses cem foram retirados dentre muitos. Esses cem ousaram dizer que sou um como vós... ou como eles. Agora eles estão mortos e eu permaneço de pé. Sou como eles?
Em uníssono os vinte generais que se acumulavam junto do imperador no alto da sacada do trono repetiram: Não, tu és deus, tu és Maxinimiano Jupeteriano César Augustus. Tu és o senhor da vida e da morte. Tu és o nosso pai. Tu és.
Com as mãos na cintura gargalhou com força. Seu pescoço grosso de general experimentado em muitas guerras coroava os ombros largos. O queixo duro…

A jornada da Fé

O navio corria ligeiro. O silêncio imperava.
Não haviam motores ou explosões.
Havia a fé.
Seu percurso criava caminhos de poeiras brancas por onde passava.
Reparou por um acidente.
Nunca olhava para trás.
Até o dia em que olhou...
E por algum motivo resolveu voltar.
Voltou com tanta força que nem sabia mais se ia ou se vinha.
Alguma hora ia chegar.
Não sabia onde, não sabia porque, mas sabia.
Tinha fé.

A cada gota de fé que depositava, mais o barco andava. Acelerava com uma velocidade abissal.
Rodeado pelo negro do espaço tudo parecia perdido.
Mas não estava.
Só esta perdido aquilo que um dia pertenceu a alguém.
Ele nunca fora senhor do espaço.
Nem poderia.
O espaço não era algo a se possuir.
O espaço era...espaço. E só.
Mas ainda chegaria aquilo que ele iria conquistar.

Vez por outra, o navio até ficava mais lento.
O olhar esmaecia.
A cabeça parecia pesar.
Mas subsistia a fé.

Tinha fé de que um dia a jornada iria acabar.
A cada sopro corria mais um quadrilhão de léguas.
E sentia o so…

Queria ser poeta.

Queria ser um poeta.
Queria com uma sacada única resumir o mundo em numa frase.
Mas ao mesmo tempo, nesse resumo torná-lo gigante.
Pois reflexivo.
Seria como um espelho olhando para o outro.
Uma reflexão eterna.
Compreendida em um único instante.
O pensado em linha reta.
Correndo por caminhos menores que um quanta.
Mais fortes que uma formiga.
Mais poderoso que uma semente.

Queria ser um poeta.
Mas nasci para prosa.
E até ela às vezes me falta.
Deveria me resumir ao silêncio.
Sou teimoso.
Proseio mesmo assim.