Postagens

Mostrando postagens de Junho, 2012

Tudo o que era sólido...

Um conto do cólera - fragmento de uma dissertação.

Amanheceu frio. Um dia nublado, com o vento que preconiza a chuva soprando forte e úmido. Sabia que o sol estava lá, bem atrás das nuvens. Fechara a janela, não podia suportar mais aquilo, aquela sensação de frio já o solapava demais, sua carne e sua alma. As lembranças fluíam em uma propulsão veloz e voraz, meio que mecanicamente abotoava a camisa, cobria-se de preto. A casa estava silenciosa, nem se parecia com aquela moradia cheia de vida de alguns meses atrás. A dor fora tamanha que o homem não lembrava ao certo o tempo que se passara desde aqueles dias de alegria. E não era sem motivos, depois de anos morando ali, a partir do ano de 1845 começara a assistir o sucesso da economia da vila. Não era mais um pequeno povoado de passagem. O homem, comerciante, ia todas as quintas-feiras para o comércio do gado, que vinha de Canindé e rumava para Fortaleza. Pouco a pouco, as pessoas que frequentavam a feira mudaram, os pequenos vaqueiros e donos de poucas terras deram lugar a senhores bem …

O vendedor

Cicatrizes da vitória.

Estava machucado! A batalha foi árdua. Dois exércitos imensos se chocaram. O som de seus passos faziam tremer o chão e os corações. Sentiu como o homem palpitava, o braço forte e rígido por um instante hesitou. Mas sabia que ele não o desapontaria. Correu com fúria e ódio. Foram horas tensas e rubras, mas eram passado.
Cortaram-lhe o couro e o acolchoado, precisaria ser cuidado, batido e remendado, mas estava feliz. As cicatrizes brilhavam e mostravam daquilo que realmente era feito, de um metal duro e forte, o metal dos campeões.

Assim sentia-se pleno, sentia-se brilhante. Era um escudo de guerra, um escudo vencedor!