Retomada não programada.

- Eu já disse que não quero que ela venha me buscar! Qual foi a parte que vocês não entenderam?
- Tudo bem Robertinho, mas você sabe que quando escolheu a reintegração você passou a ter que se adequar as leis vigentes.
- Nada disso, que merda... Eu já estou num corpo de 16 anos, não preciso ter que ficar sob a vigilância de ninguém.
- Pode até ser, mas a decisão de ter retomado como brasileiro foi sua.
- Olhe... Nos EUA eu já teria licença de motorista e estaria praticamente emancipado.
- Praticamente... mas não estaria... E vou ter que repetir, você escolheu retomar como brasileiro, nas leis daqui sua CNH só pode sair quando tiver 18.
- AAAHHHH! Vocês são todos muito burros... Quer saber... que se fodam. (tirou um cigarro do bolso e acendeu o isqueiro).
- Esperai Robert... você não pode fazer isso, você vai acabar sendo preso. Falou a mulher de vestido vermelho e rosto esticado que tinha vindo buscá-lo.
- Vai pra merda Julian...
- Você sabe que agora é Judith... E me responda direito, quando você assinou a papelada eu me tornei sua responsável legal.
- Legal uma ova seu filho da puta. Eu fiz a mudança porque queria experimentar começar de novo... Longe de você.
- Mas antes você não assinou o papel do divorcio, isso me tornou legalmente sua mãe quando você resolveu fazer a regressão. Eu não tenho culpa se pra variar você foi intempestivo, irresponsável, inconsequente e tomou decisões importantes sem pensar.
- Bem... (Falou o diretor da escola) Tenho certeza que esse é um assunto de ordem privada no qual eu não deveria, e nem vou me meter, mas sugiro que procurem o cartório de transições para resolver isso, ou aguardem dois anos até que o senhor Robert...Roberto... esteja de maior e possam assinar os papéis legalmente.
Emburrecido Robert levantou-se, Judith saiu um pouco mais atrás com a chave do carro na mão.
Ainda confusos não sabiam direito se agiam como maridos ou mãe e filho, precisam aprender a lidar com o mundo novo. 

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