o vento

o vento soprou tão frio...tocou pele de meu nariz e trouche um arrepio por toda a espinha...senti-lhe qual veludo acariciar a pele de minha maçã do rosto, correndo rápido, como água em corredeira; passando, mas deixando...até que preencheu-me os cabelos e os fez marcharem para trás com a força de cavalos em disparada...passeando pelos aneis desfeitos com sutileza e fúria, agora era mais forte...tão forte que me fez abrir os olhos.

estava caindo

e chorei, não por medo, mas pela força de agulha cortante que o ar fazia sobre minha visão

já nao era mais o chao de madeira, mas o ar que estava sobre meus pés, e não podia caminhar, e nao podia gritar, não adiantaria....

caí.

mas como foi bom! sentir-me parte do mundo, dos elementos, por um momento, apenas um momento, ate que por fim, veio um lamento quente e maior que o proprio peito...

voltei

retornei ao barco, molhado, gelado e com medo...será que minha casa não é sobre as águas, mas dentro delas? como fui feliz enquanto nada sabia nem podia... mas voltei, e tomei a certeza: o mar nao me faz mal, ele sou eu...tenho que domá-lo?! e isto é possível?!

tenho que navegar.

levantei a vela.

e o vento correu...

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