O sacrário - parte IV

Não podia mais fingir que nada sabia.
A situação tornara-se crítica, precisava arrumar coragem para sair de seu escritório e ajudar com o que pudesse.
A viagem seria longa, mas não podia continuar assistindo tudo aquela distância.

Malas feitas, roupa impecável, passagens compradas...
13 horas de viagem entre Londres e o Rio de Janeiro.
Em fim, estafado chegou.
Com a roupa em frangalhos e o cabelo desgrenhado viu o corpo magro deitado na cama de hospital. Aquela nem de longe lembrava a Mariana que lhe visitara há alguns meses para o curso de verão, apaixonada, sedenta por conhecer mais. Era uma mulher forte, marcada pelas preocupações provocadas pela doença do filho, mas mesmo assim, uma mulher forte.

Não foi difícil entrar no leito cinco estrelas em que ela se encontrava, mesmo ele achando que as vezes não valia nada depois de todo o sofrimento que causara a sua própria família quando trocou sua esposa e duas crianças por aquele amor de verão com a jovem modelo brasileira, mesmo assim, seu nome ainda valia muito, era um dos mais renomados pesquisadores em história dos povos ameríndios do mundo, mesmo em um universo tao distante do seu como eram o dos hospitais, seu nome ainda servia para abrir portas. E abriram.

Contemplava-a com olhar de carinho e piedade quando a porta do quarto abriu abruptamente. Era um homem alto, de cabelos claros e pistola no coldre.

Apresentações...
O professor inglês chamava-se sir Thomas Brandesvaille. Professor de Oxford.

Bem, - falou Juliano - eu não sei bem quem é você, nem o que quer, e eu acho que o melhor é você mesmo dizer.

Sentando-se na camurça marrom e acolchoada da poltrona. Na verdade, deixou o corpo cansado despencar, a mente pareceu desabar junto, desde que ouvira pela primeira vez a notícia sobre o caso, sabia o que havia acontecido.

Antecipando-se a qualquer palavra do inglês, Juliano avisou:
- Antes de mais nada, quero que saiba por que eu vim aqui. Tenho comigo o resultado da análise de uma série de provas, e infelizmente eu acho que sei onde Matheus está.

- Entendo, - falou sir Thomas - Senhor policial, ... se bem me lembro, no Brasil existe uma coisa chamada delação premiada.
Juliano fez um gesto afirmativo com a cabeça.
- Bem, eu lhe peço apenas um favor, tudo o que eu falar o senhor deve dizer que foi ela. Pois tudo o que ela fez tenho certeza de que foi por amor.

(continua)

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