Dama da noite

A mulher passou-lhe o pano no traseiro.
Suavemente limpava o melado que o homem havia deixado.
Era o quinto da noite.
E todas as noites eram assim.
Pelo menos desde quase sempre.
Tinha poucas lembranças de antes disso.
Lembrava de folhas, de outros, de tiros, muito barulho e confusão.
E todas as noites passaram a ser cheias de cheiros, de homens e de melado.
Entre um e outro ganhava um pedaço de açúcar e duas bananas.
Mas teve que se acostumar a pintar a boca e por um cheiro, eles pareciam gostar mais assim.
Aprendeu a por um cigarro na boca. Ganhava mais banana quando os homens sorriam.

A confusão encheu a casa.
Um grupo de vinte homens invadiu o lugar.
A correria de peles descobertas por todos os lados.
Homens de calças arriadas pulavam pelas janelas mas logo eram detidos pelos outros homens armados.

Os sons, as roupas e os objetos que os homens tinham nas mãos lhe levaram de volta a ultima vez que vira sua mãe.
O desespero tomou conta de Polly. Lançou as patas contra eles. Queria fugir. Lançou-se sobre ele com toda a fúria. Antes de alcança-lo sentiu uma picada de mosquito na altura do pescoço. Tentou dar mais um passo... ele parecia cada vez mais longe. Caiu.

As grades ao seu redor eram assustadoras. Deu por si dentro de uma jaula de metal Bateu desesperada, precisava sair dali. Até que sentiu a presença ao seu lado. Lá estavam elas também, pareciam resignadas com seu destino. Todas da casa estavam lá. A cadela Safira, a cabra Xerazade e a vaca Tantan. A calma delas acalmou-lhe também.





Baseado em uma história real:
http://extra.globo.com/noticias/bizarro/usada-como-prostituta-femea-de-orangotango-salva-na-indonesia-4622743.html

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