Bia e João

O nome dela era Bia, na verdade Bianca, mas ninguém a chamava assim, nem ela gostaria.
Ela era linda, tinha um corpo alto e um cabelo bonito, aquele ponto entre o liso e o enrolado, sempre caindo um pouco sobre o rosto, acho que para deixar um certo ar de mistério.
Ela sorria, sorria bastante e tinha um sorriso que iluminava o lugar onde estava. Sempre que me lembrava dela, ela parecia estar no meio de um jardim florido, de dia, essa era a cor dela, esse era o tempo dela. Iluminada. Viva.

O nome dele era João, ele era o mais legal, todos ao seu redor sempre estavam sorrindo, sempre queriam estar com ele. Ele era um líder, parecia até um daqueles clichês de filme americano, o garoto popular. Talvez não fosse bem assim o jeito certo de apresenta-lo, ele não era tão forte, nem tão vazio, ele sempre tinha algo para contar. Uma história interessante. Um experiência que a vida lhe deu.

E eles se encontraram, era lindo vê-los juntos. Eles se completavam, Ela com sua beleza silenciosa e ele com seu falatório sempre confiante. Era algo bonito de se ver.

A cada dia era mais disso, ela, bela e cada vez mais silenciosa e o falatório dele cada vez menos elegante.

eles se amavam, mas...

A cada dia era mais disso, ela, silenciosa ele menos elegante.
...

Eram umas seis da tarde, ela foi para a piscina, desceu bem devagar, colocando cada pedaço do corpo pra dentro da água lentamente, sentindo a água macia e quente batendo-lhe na planta dos pés. Como estava mais quente que o vento frio que soprava lá fora.

A água preencheu-lhe todo o corpo, ela sentiu o cabelo subir, e o mundo do lado de fora parecia mais turvo, e ali dentro tudo parecia ser como ela sempre sonhou, plena, sentindo o todo ao seu redor e não mais prisioneira dele? de todos que acreditavam que eles deveriam ficar juntos.

Tudo começou a ficar escuro, os olhos começaram a falhar, mas seu coração estava mais feliz do que nunca, enfim seria livre? Escaparia dele, deles?

Podia sentir o coração gritando, sentia-se plena, ele batia com força, mas cada vez mais distante...
...
Acordou.

Um mundo de gente ao seu redor. Por quê? Pra que? Como?
Ele com seu jeitão bonito e seguro, mas com um mundo de palavras duras.
Ela não aceitaria mais aquilo.

Aquelas águas foram para ela como uma ressurreição.

Mas, teria coragem de falar? Poderia ela frustrar todos os que acreditavam nos dois?
Teria ela coragem de dizer a si mesma que estivera enganada todo esse tempo?


O ar começou a faltar.

Comentários

  1. Gente, fiquem tranquilos, a referência do texto não somos eu e o Dh! É só uma história super comum que anda acontecendo com uns casais. Acho que o lance é todo mundo pensar um pouco sobre a rotina e como ela exige dedicação. É um desafio.

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