Alberto

Estava mais uma vez perdido em meio a lágrimas, não sabia mais por que chorava, e isso lhe fazia chorar.

Esses últimos dias lhe foram cáusticos.

Alberto nunca gostara de tomar decisões precipitadas, sempre fora um cara calmo e calculista - no sentido positivo da palavra - raciocinava várias vezes antes de qualquer decisão. Talvez por isso tenha ficado para trás em muitas situações, talvez por isso tenha deixado de experimentar coisas, conhecido pessoas.

Mas se engana quem pensa que ele não era feliz.

Tinha amigos, uma namorada de quem todos os amigos gostavam, por que era forte, mas não deixava de ser meiga.
Tinha um emprego bacana, apesar de querer mais.
Tinha uma família legal, que já passara por poucas e boas, mas continuava alí, unida, ao invés de se deixar levar pelo primeiro vento de mudança.
Enfim, era feliz; tinha tudo para sê-lo.

Mas estava lá, mais um vez perdido em lágrimas, e mais uma vez se odiava, por que parecia ingratidão, parecia fraqueza.

- tô indo.

Alguém batera na porta do quarto, não quis nem perguntar quem era, por que estava com a voz embargada e sabia que se falasse mais uma palavra isso ficaria evidente, mas Alberto não podia admitir que estivesse tão fraco.
Passara o lençol no rosto, dera uns dois tapinhas na cara e abriu a porta. Era a mãe vindo deixar mais alguma coisa para ele comer e ver se com aquele jeitinho de mãe conseguia dizer que estava ali, que não importava se eles não conseguiam conversar um com o outro direito, pois mesmo brincando, criaram uma forma estranha de respeito que os levou a conversarem sobre muitas coisas, mas nunca sobre coisas mais complicadas, e estava confortável assim para os dois. Até isso começar.

A comida era boa, e servia para tirar um pouco do salgado que lhe ficara na boca por causa das lágrimas que engolira.

Os olhos coçavam de novo, que horas eram? Era dia, podia ver pelos fiapos de sol que passam pelas goteiras do teto.
Um fiozinho pequenininho tocou-lhe o olho, e lacrimejou por causa da claridade.
Abriu a janela, e lacrimejou, pela beleza do que via.
Era um novo dia.

Tinha amigos, uma namorada de quem todos os amigos gostavam, por que era forte, mas não deixava de ser meiga.
Tinha um emprego bacana, apesar de querer mais.
Enfim, era feliz; tinha tudo para sê-lo.

E resolveu, seria! Tinha tudo para sê-lo.










p.s.: todo texto nos empresta um pouco da alma dos sujeitos que nele estão, e assim, quem escreve também partilha com aqueles que agem no papel. Alberto quebrou um pouco a distância habitual. Deve ser o clima de início de um novo ano. Sei lá. Só sei que ao final da história de Alberto só consigo lembrar de meus queridos amigos, e todos os que estão próximos de mim. A todos vocês, meu muito obrigado por estarem aqui e por me darem as condições para ser feliz. Bom 2011!

Comentários

  1. Feliz 2011 a todos nós, que todos os desafios sejam vencidos, um abraço

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  2. Adorei o texto Dhenis! não sabia que vc tinha um blog, está muito legal.
    Feliz 2011 confuso sonhador!
    Morganna

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  3. É incrível como todo personagem criado rouba um pouco de nós.
    Que em 2011 possamos estar mais realizados do que em 2010. Que DEUS esteja sempre diante de nós.

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