Diários de um sofredor em meio a um mar de burocracia.

Sentei-me na frente do computador totalmente exausto.

Olhava para a tela e nada parecia ter graça.
A cabeça doía.
Os olhos pareciam procurar em todos os lugares da tela algo que motivasse um pequeno sorriso.
Mas não conseguia me concentrar, a cabeça pesava. A visão parecia uma televisão antiga, onde aparece apenas um foco de luz no meio, e todo o resto fica embaçado.

A única pergunta que conseguia me fazer era: Como um dia que começa bom pode ficar tão ruim?

Acordara bem, feliz por ainda estar nas férias. Fizera um bom café da manhã. Ouvira boa música, lera bons textos.

Mas ainda haviam pequenos compromissos a serem feitos. Afinal, era melhor fazer tudo agora, antes que o trabalho voltasse e o tempo ficasse bem mais curto.
Ah...burocracia, lá vamos nós.

Haviam pendências a resolver que só podiam ser solucionadas por telefone.
Mas tudo correria bem, já ligara para lá semana passada e acertara tudo, agora ligava mesmo só por descarrego de consciência antes de ir ao escritório com a papelada.

Primeiro toque - como é que o Ceará foi empatar antes de ontem cara? seria ideal ter dormido lí.. Segundo toque - quando terminar isso tenho que fechar os conteúdos para segunda...

Opa. Alô? Oi, eu sou....
Toda uma conversa se desenrolou, e no final, tudo voltara para a estaca zero.

Que droga, lá se vou eu, ligar para a financeira de novo.

Enquanto discava lembrara-se de cada momento entre a compra do bem até o presente momento, todas as dificuldades. E foram muitas, era um mundo novo, com nomes e siglas novas. Sofrera bastante, mas vamos lá.

Atendido. Até educadamente tratado - coisa rara hoje em dia - e uma certeza: Não, já fiz tudo que tinha que fazer! A moça confirmou!

Respiro, tomo um café, vejo as notícias...olhaí rapá, a Geyse Arruda, grávida... E essa história do Battiste, meu bom Deus, ainda vai dar muito o que falar....

Bem, chega de folga.

Mais um ligação, e dá-lhe voizinha mecânica, pelo menos a daqui tinha um sotaque engraçado - todos os nossos atendentes estão ocupados - olho pro relógio, que coincidência, são 12 horas, ou todas as pessoas do estado resolveram ligar na hora do almoço ou essa é a forma educada de dizerem NÃO VAMOS ATENDER, ESTAMOS COMENDO!!!

Deixa quieto.

Mais meia hora, mais uma ligação, agora consigo falar com uma atendente. Que bom. Explico tudo, ela com um ar meio afobado de quem odeia o próprio emprego, ou me odeia, sei lá - prefiro me enganar achando que ela teve uma noite ruim ou algo assim - pedi pra que eu repita vários dados umas cinco vezes, e depois pedi pra que eu espere na linha - algo me diz que ela sabe menos do que eu sobre esse assunto - .... Espero....Espero...e pra variar, Espero...

Resumindo, após meia hora ouvindo o silêncio, sim ele ainda existe, ela me diz que não conseguiu resolver nada, não confirma nenhuma das minhas opções - todas dadas pela moça, super educada, do banco.

Como perdi toda a manhã nesse ballet telefônico, não deu tempo de preparar nada, tive que ir comprar comida, me arrumei, coloquei uma blusa mais legal, estava chateado, mas ainda dava pra salvar o dia.
Agora vai, almoço comprado, venho pra casa, no meio do caminho. Chuva!...perco a comida, molho a casa.

Ainda com fome.
Sentei-me na frente do computador totalmente exausto.
A única pergunta que conseguia me fazer era: Como um dia que começa bom pode ficar tão ruim?

Comentários

  1. Não tem nada que me irrite mais do que BURROcracia, tudo é uma encheção de saco e de linguiça, se repete coisas demais e desnecessárias, e resolver que é bom nada! Como é que em pleno século XXI já começando a 2a década de tal século as coisas ainda andam a passo de tartaruga, lembro de um quadro dos Trapalhões onde o Didi vai resolver uma coisa e ficam jogando ele de um lado pro outro, nunca se consegue resolver com o fulano, então passa pra beltrano do departamento de p%##@ nenhuma. Depois que alguém chega xingando, gritando e sendo mal-educado, eles não sabem porque. ê Brasil!!!

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  2. ê Brasil... concordo em gênero, número e grau!

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  3. O pior é você TREINAR essa e de ser mal-educado, para que se resolva algo. Meu Deus! A que ponto chegamos?

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