A luz das estrelas

Gostava quando a noite chegava, podia ver, lá por detrás das luzes dos postes a beleza das estrelas, brilhavam um brilho calmo e limpo. Ajudava a descansar. Depois de um dia inteiro de pisoteio, desprezo e até de ser cuspida, gostava de relaxar de noite, com o ventinho frio tocando-lhe e as luzes, sim, as luzes das estrelinhas tão distantes. Mas em uma fração de segundos tudo mudara. Que luzes mais esquisitas eram essas, esse amarelo fogo saindo de dentro dos canos pretos, e de repente uma chuva de pedrinhas brilhantes lhe envolvia. Era o vidro, vidro gelado pelo ar condicionado de dentro da sala dos caixas eletrônicos do banco, vieram três, quatros papocos grandes vindos de dentro do prédio e uma profusão de sirenes e gritos. Até que sentiu, em meio ao medo, o calor se depositando sobre ela. Era sangue, ainda cheio de vida, e um, dois, três corpos pesados, imóveis.

Desde o começo daquela noite, a pobre calçada não tivera mais sossego, já se iam seis horas e centenas de pés já lhe pisaram, dezenas de riscos de giz já foram traçados, e ela só queria que tudo terminasse para poder ficar olhando para as estrelas.

Comentários

  1. Massa, até a última linha, não desconfiava o que pudesse ser o personagem, muito legal!!!!

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  2. Massa. Que bom que deu certo, era essa a ideia!!!!
    Por sinal o teu também ficou muito bom. Onomatopeicamente interessante. ehehe

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