A roupa

Ainda com a cara meio emburrada o pequenino vestido de bermudão azul, camisa branca e suspensório olhava para o avô com uma chateação latente.
- Diga meu netinho. O que lhe incomoda tanto?
- Vô, eu até entendo que eu esteja dentro dessa roupa, fantasiado pela minha mãe, mas o senhor ficou aqui sentado, aceitou a primeira roupa que ela lhe trouxe e ainda fica aí com esse sorriso bobo.
- E que motivo eu teria para não sorrir?
- Ora... Ela fez com o senhor o que quis. Cadê a sua vontade nessa escolha?
- Meu jovem... Minha maior vontade era aproveitar essa noite de festa.
- E como você pode aproveitar assim, sem nem ao menos estar com a roupa que quer?
- Hahaha, é isso mesmo. Mas eu poderia escolher estar com a roupa que eu quero é toda vez que olhar para a sua avó ver uma cara emburrada, ou deixar que ela escolha e trocarmos sorrisos.
- Mas e a sua vontade?
- Ora, mas a minha maior vontade não era aproveitar essa noite?! Qual melhor acessório para um dia feliz do que um sorriso. As vezes perder nos torna ganhadores meu neto.

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