"A beleza do morto"

"É que da bem aventurança e da alegria na vida há pouco a ser dito enquanto duram; assim como as obras belas e maravilhosas, enquanto perduram para que os olhos contemplem, são registros de sí mesmas; e somente quando correm perigo ou são destruidas é qiue se transformam em poesia." p. 110 do Silmarillion.

É incrível como essa concepção é via de regra. Convivemos com o magnífico a todo momento, mas o desprezamos.
Quanto tempo não passou sem que a obra de cantores que são hoje aclamados pudesse ser realmente vista com o respeito merecido, e esse só foi alcançado depois da lápide. 
Como não ficamos vidradíssimos diante de culturas de outros povos que são postas nas telas, mas esquecemos da beleza de nossa própria? 
Tudo visto de perto, muda bastante.

No alto mar, as praias parecem ser mais belas, o brilho das casas são sedutores, como pequenos luzeiros que suavemente lançam uma mensagem ao vento que sussurra ao pé do ouvido: sua casa é aqui. Só nos damos conta disso quando nos distanciamos....mas nem sempre dá pra voltar.

Acho que é tempo de nos permitirmos estranhar o que é comum para ver o quanto extraordinário ele pode ser.
De Certeau brevemente ( e brilhantemente) define isso como à "beleza do morto". Precisaremos matar tudo e todos ao nosso redor para dar-lhes o devido valor?

Não quero um oceano de sangue e corpos ao meu redor....

Comentários

  1. A natureza humana é vil e angustiada...
    O medo de ter a poesia apagada é colossal,mas o que podemos fazer?
    Gostei Dhennis...abç!

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