Ela

Voltava para casa.
Era quase noite, aquela hora fria e esquisita, a mais escura de todas, entre o dia e noite.
Estava escuro. O sol teimava por trás da serra, queria ainda ficar, mas já era hora.
Ainda não era tão tarde ao ponto de estarem acesas as luzes artificiais.

Era uma hora triste e cansada.
Assim com eu.

O dia fora difícil.

Já fazia tanto tempo que saíra na madrugada preguiçosa, até parecia ter sido outro dia.
Passara-se o dia todo e agora ali estava eu, de novo.
Suado, camisa aberta até o quarto botão pra ver se entrava um pouco de ar.
Cansado.
Pela janela da condução, lotada, entrava vento, um vento tão bom,... vinha de casa.

Estava voltando.
Foram quantas palavras? Quantas pessoas? Quantos?
E no final, estava voltando pra casa.

O caminho passava, rápido; mas não tanto quanto eu queria que fosse.
Parecia tudo tão lento naquele fim de tarde. Acho que o próprio dia estava esgotado. Esvaia-se

Enfim, a casa.
Porta, sala, solto os livros e tudo o mais, termino de desabotoar a camisa.

Casa, ela já estava lá. Chegara antes de mim.

Enfim, um sorriso. O sorriso.
O dia acabara, já estavam acesas as luzes e tudo passava a ter sentido.
Tudo e todos foram por ela.
Tudo foi por ela.




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