Medo

Os olhos estavam ardendo, a cabeça pesada, a barriga parecia dez vezes maior do que era. Sentia-lhe cada pedaço e cada movimento.
Sentia um aperto ao lado do ouvido.

Nada disso realmente o incomodava.

O pior era o medo.

Sua cabeça estava nervosa, seu coração batia lento, mas nem por isso se iludia: tinha medo.
Medo de que? Medo de quem?

Sentia-se pequeno e fraco.

Era grande, já homem feito. Todos lhe diziam, alcançara muito, fora bem longe, chegara onde muitos diziam que lhe era impossível. Enfrentou as Moiras que lhe destinavam um mundo pequeno, menor que seu próprio peito que agora estava apertado.

Mas tinha medo. Medo de parecer fraco quando todos lhe queriam/ precisavam forte.
tinha medo dela, nunca aceitaria sua fraqueza, mesmo que ela assim o fosse.
Medo de desaponta-los, eram tão certos de que ele era forte que não poderia deixar de provar para eles que realmente o era.
O era?

Só a ele cabia essa questão, só dele dependia a resposta.

Precisava parar de pensar, a cabia doia mais e mais.

A garganta estava seca. Que tal fechar os olhos e tentar dormir?

Uma, duas, três horas. Sono fraco e perturbado. Alívio?!

Mas e agora, o mundo ainda estava ali, ele ainda estava ali.

Ainda tinha muito por fazer.

Queria um tempo.
queria ser cuidado, talvez ter o amor que nunca sentiu(?). Experimentar a sensação de felicidade plena e não explicações racionais.

Queria um arrebatamento.

Queria ser cuidado...

Mas não podia.

Precisava fazer alguma coisa.

Só dependia dele.

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