A metamorfose análoga imanente.

A roda gigante da vida dele já entrava em curva decrescente.
O peso das experiências se acumulava como sacos de arroz nas costas de carreteiro.
Já viajara meio mundo.
Conheceu um milhar de pessoas.
Ouviu e falou em várias línguas.

Mas no final das contas percebia que era o mesmo menino.
Continuava querendo ser como aquele personagem do filme que tinha acabado de ver.
Aprendeu bastante, mas acima de tudo, continuou.

Até parou pra pensar se no final das contas Hegel, Platão e essa turma toda tinha razão com suas noções de imanência...
Por baixo de toda a camada de palavras bonitas e rebuscadas todos acabavam gostando daquilo que sempre gostaram, votando nas pessoas que sempre votariam e amando como se não aprendessem nada com cada surra que a vida lhes dá.

No final das contas, parece que estamos aprendendo e nos transformando, mas na cabeça dele, parece que cada transformação na verdade só o tem levado a ser aquilo que ele sempre foi.

A metamorfose de Raul nunca o fez um Roberto Carlos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"A beleza do morto"

A demasia do excesso.

Sabedoria canina