Atlas

Os anos foram se acumulando lentamente em cima dos ombros dele.
A cada nova translação completa, uma nova pedra para carregar.
Seus movimentos a cada dia mais lentos, mas também cada vez mais preciosos.
Parecia não querer mais ser o cachorro atrás do carro e sim o jacaré com a boca aberta.
Não sabia ao certo se o problema era estar mais velho, mais cansado, mais ocupado, mais impaciente,...
De todas as questões só tinha uma constatação, ficara mais calado.
O silêncio que tanto incomodava na juventude agora parecia um movimento natural.
Não sabia o porquê, só sabia que era.

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