A melancolia da saudade que talvez virá.

Beijaram-se. Foi confuso como todo primeiro beijo. Foi terno e intenso ao mesmo tempo, como se fosse o último.
E era. Sabia que nunca mais poderia acontecer. Tinha dentro de si a certeza de que era feliz, mas ao mesmo tempo que aquela felicidade era momentânea. Precisava ser.

Pegou-se num misto de felicidade e melancolia.
Segurou ela bem firme junto ao peito. Apertou-a num abraço tão forte que conseguia sentir o coração batendo rápido do outro lado. O nariz ficava exatamente alguns centímetros acima daquele cabelo liso. Sentiu-lhe o cheiro com intensidade. Tentou suga-la para dentro de si. Era impossível.

Despediram-se com a sensação de satisfação... Mas ele não conseguia deixar de pensar que daqui a pouco não passaria de uma lembrança. A distância os levaria para lugares completamente diferentes. Seriam corpos e almas em rotas opostas.

Sorriu um sorriso sem graça ao pensar que talvez daqui há dez anos ela lembre dele na volta do trabalho e dê um pequeno suspiro de saudades. Quem sabe...

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